Segundo Manuela D’Ávila, esquerda é a principal candidata para ganhar as eleições no Brasil

Former Brazilian president (2003-2011) Luiz Inacio Lula da Silva listens to the presidential pre-candidate of the Communist Party of Brazil (PCdoB) Manuela d' Avila (L) during a rally of Brazilian leftist parties at Circo Voador in Rio de Janeiro, Brazil, on April 02, 2018. The chief justice of Brazil's Supreme Court urged calm and warned against violence Monday ahead of a ruling that could send former president Luiz Inacio Lula da Silva to prison -- or give him a get-out-of-jail card. / AFP PHOTO / MAURO PIMENTEL

Manuela D'Ávila veio a público com uma mensagem um tanto quanto polêmica. Em suas palavras, a esquerda está fortemente unida e, por isso, as condições de chegar ao Palácio do Planalto são altissímas. Manuela tem um currículo invejavel, sendo ex-deputada federal, eleita deputada estadual no ano de 2014 e escolhida pelo PCdoB para disputar a presidência em 2018. Esta será apenas a terceira vez em que o partido tenta colocar um de seus escolhidos no cargo máximo do estado. A primeira foi em 1930 com o vereador do Rio de Janeira Minervino Oliveira e a segunda foi em 1945, sendo escolhido um prefeiro de Petrópolis (RJ) chamado Iedo Fiúza. Abaixo, segue as palavras de Manuela D'Ávila, explicando como o seu partido tomou a decisão de apoia-la no cargo eleitoral: 

“O PcdoB realizou em 2017 como realiza a cada 4 anos o seu congresso nacional. O congresso é o momento em que debatemos e atualizamos a nossa política e, nessa ocasião, refletimos e fazemos ajustes sobre o nosso Projeto Nacional de Desenvolvimento, sobretudo ajustes que se dão no novo momento do ciclo político que se abre com o golpe sofrido pela [Presidente] Dilma [Rousseff] e pelo Brasil no ano de 2016. Então, o debate do PcdoB não é em torno de nomes e sim, de um Programa. Basta dizer que, desde 1945, nosso partido não tinha uma candidatura presidencial. Então, há 20 anos, quando me filiei ao PCdoB, não achava que seria justamente eu essa pessoa que iria romper essa tradição de sete décadas do partido fora do grande pleito nacional. Então, primeiro fizemos um debate programático e depois, a militância do nosso partido decidiu, de forma consensual, em congresso realizado em novembro em Brasília, que o meu nome era o mais adequado a levar em frente esse volume de ideias contido no Projeto Nacional de Desenvolvimento do PCdoB.”

Com apenas 36 anos de idade e incriveis vinte anos atuando como militante na política, ela assegura que a esquerda esta devidamente unida, com total chance de recuperar a tão sonhado cadeira de Brasília, do Palácio do Planalto.

“Com relação à disputa em si, eu acredito que a esquerda brasileira tem plenas chances de chegar ao segundo turno e sair vitoriosa das eleições. Por que? Porque o projeto que é representado por este setor ultraliberal nunca foi vitorioso nas urnas. Eles [os governantes atuais] não submeteram ao crivo popular a proposta da reforma trabalhista, a retirada de direitos sociais do povo brasileiro e não conseguirão submeter. É impossível que o povo faça a opção por esse projeto atrasado e antipopular. Disso surge a possibilidade de nós vencermos a eleição pela quinta vez consecutiva.”

A presidenciável ainda relembrou que seu partido deu todo o apoio que era necessário para o ex-presidente do Brasil, Luíz Inácio Lula da Silva, estando em dia o compromisso com o PT, apoiando até mesmo a candidatura da sucessora Dilma Rousseff. Tais atos, na opinião de Manuela, foi o ponto principal para a união da ideologia de esquerda, que agora se transforma em compromisso a ser assumido pelos partidos. 

“Acredito que vocês acompanharam o gesto do PT e do PCdoB de manter uma postura unida de apoiar o nome mais competitivo. Porque a eleição no Brasil se dá pela unidade programática dos partidos e pela viabilidade dos nomes escolhidos. Em relação ao PCdoB, nós somos o único partido que, há sete eleições, esteve na Frente Ampla apoiando primeiro a candidatura de Lula e, depois, a de Dilma à Presidência da República. Nós sempre apostamos em saídas mais unitárias. Nós, este ano, realizamos algo inédito que é a nossa unidade programática a partir das fundações partidárias. Ou seja, estabelecemos um programa comum entre PSOL, PCdoB, PDT e PT. Isso é algo novo.”

Apesar de tanta clareza no que almeja, a chapa de Manuela D´Ávila ainda não está totalmente formada, pois o nome para vice ainda não foi definido até o momento.

“Nós estamos construindo com estes movimentos que estão se aproximando da nossa candidatura. Estamos conversando com movimentos que têm relações com coletivos de mulheres, com estruturas como a Frente Favela Brasil, com intelectuais e agentes da cultura que estão se organizando em torno da nossa candidatura e das ideias que ela representa.”

As polêmicas da jovem presidenciável não param por aí. Manuela decidiu até mesmo opinar sobre os canditos ao cargo maior, intitulados de direita, como Jair Bolsonaro (PSC-RJ), Geraldo Alckmin (PSDB) e até mesmo o ministro da Fazenda Henrique Meirelles (está no PSD atualmente), que está deixando o cargo para poder disputar a sonhada eleitção. Ela ainda deixou sua opinião sobre o presidente Michel Temer (PMDB).

“Seria bom que Michel Temer concorresse porque ele não é muito afeito a eleições. No último pleito que disputou para deputado federal ele não se elegeu, e se tornou Presidente da República sem voto porque ele é um golpe programático e realizou um impeachment [de Dilma Rousseff] sem crime de responsabilidade. Então, eu adoraria vê-lo apostar num debate democrático como é o debate eleitoral porque ele tem demonstrado ser alguém sem compromisso com a democracia. Com relação a Alckmin, Meirelles e Bolsonaro, trata-se de candidatos da base de Temer que representam algo já construído, um projeto ultraliberal de reformas e destruição do estado brasileiro, esse programa entreguista não vinculado ao desenvolvimento nacional, não comprometido com o povo brasileiro e que torna a economia nacional submetida aos interesses dos bancos.” 

 

https://www.noticiasbrasilonline.com.br/manuela-davila-esquerda-tem-tudo-para-ganhar-eleicao-no-brasil/

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